segunda-feira, 13 de julho de 2015

Parto Normal X Parto Cesárea

Hoje venho falar sobre um assunto que vem me incomodado bastante: a atual guerra sobre os diferentes tipos de parto.
Sei que prometi falar sobre amamentação mas, diante do puerpério (minha filha acabou de nascer) e de tantas coisas que tenho lido, resolvi publicar esse antes.

De um lado, as defensoras de um parto mais próximo do natural, de outro, pessoas que fazem a cirurgia cesariana para trazerem as crianças ao mundo e, no meio, mães. Mães indecisas, confusas, ansiosas, muitas vezes apavoradas com tanta informação bombardeada por todos os lados.

Mas afinal, o que é melhor?
Essa pergunta tem muitas respostas.

Claro que o que é natural é sempre a primeira opção a ser levada em consideração, uma vez que a evolução nos proporcionou a anatomia perfeita para a continuidade da espécie. Todo animal tem parto natural e aguarda o tempo exato no qual o bebê gerado está pronto para vir ao mundo. Mas, graças à evolução, também pudemos encontrar soluções para situações mais complicadas que poderiam arriscar a vida da mãe ou do bebê, caso não fosse tomada a decisão correta de uma intervenção cirúrgica, quando necessário.

A partir daí, houve, de fato, uma banalização do parto. Algo que deveria ser feito apenas com indicação médica, acabou mudando as prioridades. O que antes era natural: aguardar o tempo do bebê, virou inconveniência. O que tinha como protagonista a mulher, agora tem o obstetra.
Mas vamos falar a verdade: cesarianas salvam muitas vidas em todo mundo. Principalmente quando feita de forma criteriosa e com a indicação correta.
Aqui no Brasil, infelizmente temos presenciado obstetras agendando cirurgias desnecessariamente de acordo com a disponibilidade de suas agendas, desrespeitando o amadurecimento do bebê, amedrontando mães e arriscando vidas desnecessariamente.
Há, de fato, casos em que a cesariana é realmente a melhor opção, mas são exceção.
Ainda há uma terceira opção a ser respeitada, que é, de fato, a mais importante de todas: a opção da mãe!
Somos nós que vamos passar pelas dores, sejam elas do parto ou do pós-parto. Somos nós que vamos lidar com nossas cabeças, nossas dificuldades e medos, nós somos as mães! Somos, juntamente com nossos bebês, os verdadeiros protagonistas do nascimento dessa nova vida.
Poetização à parte, nós que devemos decidir as nossas vidas.
Tenho visto uma verdadeira guerra onde o respeito à mãe tem sido deixado de lado. Tanto pelo obstetra e sua equipe quanto por outras mães e ativistas.

Vamos definir um ponto de partida:

RESPEITO.

Respeito à mulher e suas decisões:
se quer um parto natural, sem intervenções, apenas contando com sua capacidade de parir, que assim seja feito. Que nenhuma episiotomia seja feita, que não lhe seja aplicado nenhum hormônio para indução do parto, que não haja desculpas mentirosas para uma intervenção de emergência (seja ela qual for), que lhe sejam proporcionadas condições de conforto para parir da forma que for mais confortável para ambos, mãe e filho.
Se a mulher quer ter um parto normal, com anestesia, que assim seja.
Se a mulher quer uma cesariana, que outras mães não lhe venham apedrejá-la por ter escolhido assim. Uma mulher que passa por cirurgia cesariana não deve ser considerada "menos mãe" do que aquela que pariu em casa, com doula e parteira.

Estou dizendo isso com propriedade.

Hoje mesmo li em um grupo no facebook que "cesariana é para emergência ou para cagonas". Oi????????
Se você acha ter 7 camadas do seu corpo cortadas e costuradas com, pelo menos, quinze dias de pós parto nada fáceis, coisa para mulher cagona, amiga, não sei o que é ser corajosa.
Ali naquele comentário só vi uma mulher atacando outra, sem defender ideal algum.
E é esse o propósito de uma ativista pró humanização?

Eu mesma passei há menos de uma semana pela minha segunda cesariana. A primeira, de emergência e, a segunda eletiva, com dia e hora marcadas.
E por que eletiva?
Porque minha obstetra me deu essa opção.
Tive uma gestação difícil, cheia de problemas: ameaça de aborto no final do terceiro mês, um descolamento ovular com recuperação demorada, que resultou numa gestação inteira de repouso e um hematoma que só foi removido durante o parto, baixo crescimento da bebê e, no final, meu corpo não aguentava mais, muito menos a minha mente.
Minha filha nasceu linda, pequena e saudável, com quase 39 semanas e está ganhando peso a cada dia, enquanto eu me recupero.

E sabe porque eu estou tranquila com a minha decisão?
Porque eu sou mãe. Mãe por completo. Mãe que ama amamentar. Que não está nem aí para aquelas pessoas que me olham torto na rua porque estou amamentando uma criança em lugar  público sem paninho.
Sou mãe que trabalha, mãe que brinca, mãe que surta.
Sou mãe que luta pela cria mais do que muita mãe que teve seus filhos de forma natural mas hoje, opta pela sua conveniência, deixando o mais importante de lado, que é, na minha humilde opinião, criar com carinho, com amor, respeito e educação.

Então, se você está grávida, informe-se sobre as suas opções e desejos. Respeite-se e não tenha medo de trocar de médico caso esse não respeite a sua vontade.
Respeite-se e não tenha medo de suas decisões.

Se você já pariu, respeite e apoie, informe e ajude, sem apedrejar qualquer decisão.

Somos mulheres em busca dos nossos direitos e não cabe a ninguém julgar. Não somos iguais e não passamos pelas mesmas situações.

Respeite, respeite-se e seja respeitada!

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