Aí, em poucos dias você se vê triste...
Para tudo! Como assim, triste????
É, isso mesmo, triste!
Parece até ingratidão com o mundo que, após tanto tempo sonhando com o momento de ter seu filho nos braços, conhecer a carinha dele, você ainda tenha motivos para chorar...
Mas acredite! Não é ingratidão!
Nunca, na sua vida você vai sentir tanto a influência dos hormônios na sua vida. Nem mesmo na gestação toda você vai sentir essa loucura!
Então vamos falar do baby blues!
Essa expressão em inglês nada mais é do que uma melancolia pós-parto. Não estamos falando de depressão pós-parto, ok? É melancolia... uma tristeza, um sentimento inexplicável...
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| (fonte:Blog Tudo de Nós 2) |
Lembro-me que, pouco antes da minha primeira filha nascer, uma amiga havia me alertado sobre uma melancolia que poderia sentir depois que ela nascesse, que eu poderia me sentir triste mas, se não fosse nada muito grave, não deveria me preocupar tanto, que era normal...
Pois bem, guardei aquele breve bate-papo na memória caso precisasse dessa orientação futuramente.
Quando a minha filha nasceu, foi a realização de um sonho há muito desejado.
"Eu sou mãe!!!!", pensei.
Durante o tempo em que estive na maternidade, ficava emocionada cada vez que ela mamava, resmungava, sorria involuntariamente... era um encanto...
Depois de dois dias, estava eu saindo com ela nos braços e pronta para encarar os desafios que viriam...
Quero dizer, eu ACHAVA que estaria pronta.
A verdade é que nenhum livro e nem ninguém pode te preparar 100% para ser mãe ou pai antes disso acontecer e, a cada dia, o desafio é diferente.
Então, em casa começou o meu maior desafio: Ser Mãe!
Era tudo novo, tinha medo de pegar a minha pequena de forma errada e tudo mais que a gente possa imaginar de medos, mas nada daquilo chegou perto do que eu comecei a sentir naquele dia...
Eu simplesmente comecei a chorar...
Chorava sozinha, para que ninguém visse, tinha vergonha de estar chorando e me sentir triste naquele momento que deveria ser tão sublime.
Até que não consegui disfarçar mais e chorava em qualquer lugar, a qualquer momento...
Não sentia rejeição pela minha pequena, não pensava em fazer mal... mas me sentia profundamente triste.... foi quando lembrei do alerta da minha amiga.... respirei fundo e fui conversar com meu marido e com a minha mãe...
Pense bem: estávamos, até poucos dias atrás, radiantes de alegria e ansiedade e agora, estamos cheias de medo, com o bebê nos braços.... o que mudou????
HORMÔNIOS!!!
Aqueles safadinhos que nos deixam de mau humor uma vez por mês....
Quando parimos, nossos hormônios acumulados durante a gestação começam uma queda livre. Mas daquelas que, quando subimos no avião, a única maneira de sair dali é saltando com o paraquedas...
Mas no caso, ele não abre...
Nunca na minha vida eu havia sentido tanto a fragilidade causada pela alteração hormonal. Nem durante a gestação toda, nem na pior TPM eu imaginei que os hormônios realmente pudessem nos afetar tanto.
Mas afeta... e muito mais do que a gente possa estar preparada para enfrentar...
No final da primeira semana em casa, meu marido criou coragem de me perguntar se eu estava bem, o que eu estava sentindo...
Foi exatamente nesse momento em que eu mais chorei sem motivo na minha vida toda!
Não havia motivo para me sentir daquela forma, mas a única coisa que eu conseguia fazer era chorar...
Chorava comendo, amamentando, tomando banho, fazendo xixi... Enfim, eu só era lágrimas.
Ele ficou assustadíssimo e chegou a cogitar que eu pudesse estar em depressão pós-parto, mas não chegou a falar diretamente a mim.
No momento em que eu vi que ele estava disposto a ouvir, foi o momento do desabafo. Contei que eu simplesmente não tinha a menor ideia do porquê eu estava daquele jeito. Não entendia também. A única coisa que eu sabia é que eu era a pessoa mais feliz do mundo mas não estava conseguindo controlar aquela tristeza. Era uma sensação muito louca! Eu estava extremamente feliz, mas ao mesmo tempo, sentia tristeza o tempo todo.
Marido, viciado em Google, saiu pesquisando e descobriu essa expressão: Baby Blues ou Blues Puerperal... que é essa melancolia no período pós parto.
Diferentemente da depressão, esse não é um diagnóstico preocupante e, pelo contrário, é extremamente comum. É uma condição física que chega a acontecer com 60 a 80% das mulheres e pode vir acompanhado de insônia, ansiedade e exaustão. No meu caso, foi a exaustão que sentia mais.
A boa notícia é que, na maioria dos casos (como foi o meu), essa tristeza vai embora em algumas semanas, sem necessidade de tratamento.
Durante esse período é extremamente importante se observar e também, se possível, contar com o apoio das pessoas que estiverem próximas a você.
Não seja tão exigente consigo mesma! Além dos hormônios, você está vivenciando algo novo (mesmo que não seja seu primeiro filho), sua rotina muda, você amamenta e, acaba perdendo um pouco daquela liberdade que você tinha de fazer tudo o que queria e quando queria, afinal, você agora tem um serzinho que depende muito de você!
O medo, a ansiedade e também a insegurança são sentimentos comuns quando se vê em uma situação nova. Além disso, você agora é mãe pra sempre!!!
Não tenha vergonha de sentir... o que quer que esteja sentindo,,, Não é frescura, não é bobagem!
Meu conselho é para que você converse com alguém. Seja mãe, companheiro, companheira, amiga, irmã... qualquer pessoa que possa te ajudar...
Se for o caso, converse com seu obstetra. Médicos são mais capacitados a orientar caso esse estado seja mais sério ou dure por mais tempo.
Se existe algo que você vai aprender, depois de ser mãe, é correr atrás das coisas e tentar resolver.
Então não sinta vergonha de pedir ajuda.
E a ajuda que eu digo é, inclusive com o bebê.
Tive a sorte de contar com a minha mãe no primeiro mês, então, quando meu marido não estava me ajudando, quem segurava as pontas era ela!
Cuidava da casa e da minha filha enquanto eu fazia meu momento.... tomar banho, dormir, ver um pouco de TV... e isso foi essencial. Em determinados momentos do dia (e da noite) minha mãe só me chamava quando era pra amamentar. Durante a minha recuperação da cesariana, ela levava a minha filha até minha cama, para que eu não precisasse me levantar o tempo todo.
Então eu digo: apoio da família é fundamental, principalmente no primeiro mês, onde ainda estamos atrapalhadas com a nova rotina,
Mas voltando ao tema, meu conselho é: CONVERSE! Fale com amigas que tenham filhos, tire dúvidas e, acima de tudo, respire fundo, isso vai passar!
Caso alguém, inclusive você, desconfie não se tratar de melancolia e sim de algo mais sério, procure ou peça ajuda, inclusive profissional. O estado de depressão pós-parto pode levar a mãe a se colocar em situações de risco tanto para ela quanto para o bebê.
Espero ter ajudado!
Um grande beijo!

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