terça-feira, 23 de junho de 2015

O que nunca falam sobre a maternidade?

Sabe, quando estamos na escola, temos todas as ferramentas para termos um bom desempenho... Livros, professores, amigos que nos ajudam, nosso cérebro e,  em muitos casos, a força de vontade...
Somando tudo isso, praticamente temos a fórmula do sucesso para boas notas, passar de ano e tudo mais...
Aí os anos passam e, com eles, chegamos à vida adulta!
Já não temos todo aquele preparatório mas, no final, conseguimos nos virar.
Aí vem a maternidade/paternidade.
Tudo aquilo que lemos, o que nossas mães/avós/tias/amigas e todos eles do gênero masculino nos ensinam valem apenas para nos mostrar que não existe fórmula mágica quando se trata de ser mãe/pai.
Nada, absolutamente nada e nem ninguém consegue nos preparar para a vida que nos espera após nos tornarmos pais.

Uma coisa você pode ter certeza: será o maior desafio da sua vida e vai lhe proporcionar o maior amor do mundo!

Mas nem por isso, vou aliviar dizendo que será fácil, porque na real, não será.

Acho que o primeiro desafio é o parto. Nem sempre parimos do modo que sonhamos e isso pode assustar e frustrar bastante...
Depois tem o baby blues, que falei no post anterior, no qual travamos uma batalha árdua contra nossos hormônios e isso, para algumas mulheres e principalmente para seus companheiros é algo muito, mas muito difícil mesmo de lidar.
Temos a amamentação (falarei no próximo post mais um pouco sobre esse assunto) que pode ser tão prazeroso como doloroso, quando a criança tem dificuldade com a pega correta, por exemplo.
Após o período de adaptação inicial, temos o período com a nossa adaptação à vida de mães e pais. Não simplesmente por ser responsável pela coisinha mais linda de nossas vidas, mas porque, em muitos casos, percebemos quão egoístas éramos ou ainda somos, quando temos que abrir mão de muitas coisas que parecem banais, mas que fazem muita falta no dia a dia.
Depois que nos adaptamos, ainda temos os picos de crescimento e crises de desenvolvimento da criança, introdução alimentar e a fase das birras (falaremos logo logo sobre esses temas mais profundamente).

Mas vamos dar atenção às coisas que mudam quando somos pais:
Aprendemos a dar valor aos momentos mais inusitados de solidão, tipo ir ao banheiro rsrsrsrs
Tomar banho é uma tarefa feita à jato! Banho de gato é fichinha perto do banho de mãe! Ainda mais mãe que amamenta em livre demanda!
Manicure? Pedicure? Cabeleireiro? Depilação??? LUXOOOOOOOOOO - eu demorei cerca de quatro meses para conseguir ir, e mesmo assim foi sob ameaça de entrar em surto psicótico (falsa ameaça, confesso), mas eu ia voltar a trabalhar gente! O que eu poderia fazer? Tinha que ficar ao menos apresentável né?
Sabe ir ao supermercado sozinha? Nunca foi tão legal!!! Eu via as prateleiras com tanto interesse quanto olho o mar, e eu realmente amo olhar pro mar rsrsrs Mas tinha tanto tempo que eu não ficava sozinha que vou confessar que quase entrei em êxtase!
A verdade é que nós abrimos mão de muitas coisas para realizarmos o sonho de ser pais. Alguns mais, outros menos, mas sempre será uma entrega, afinal de contas, aquela criança depende apenas de nós.
Depois que eu me tornei mãe, nunca mais usei a famosa frase "ai se fosse meu filho..." Uma teoria que eu e meu marido temos é que se está muito cômodo para nós, é porque não é a melhor escolha.

Mas isso seria uma visão pessimista????

Não vejo assim.
A maternidade, apesar de abrirmos mão de coisas importantes, é um amadurecimento sem precedentes.

Quando decidi por não dar chupetas para a meus filhos, independente de quantos eu tiver, eu abri mão de alguns "privilégios" afinal de contas, a chupeta em muitas vezes faz o papel de "cala a boca" no neném e isso, pra mim é algo inimaginável. Minha primeira filha, alguns dias, ficava pendurada em mim o dia todo, principalmente nos períodos de crises de desenvolvimento e isso é realmente cansativo. Mas sinceramente, nada mais delicioso do que saber que naquele momento, você está fazendo toda a diferença na vida do seu bebê. Não vou entrarem méritos sobre o uso ou não de chupetas, isso será tema futuro mas, ter paciência é algo indispensável ao nos tornarmos pais.

Não, você não precisa ser o Dalai Lama, você pode sim perder a cabeça, chorar, se trancar no banheiro pra descansar a mente num banho mais longo (quando há alguém em casa pra olhar a cria né???) Mas uma coisa se aprende... ter paciência. Principalmente se você quer uma criação com apego, sem violência (espero que todas queiram né?).
Mas haverá momentos que a criança vai fazer birra, vai se jogar no chão vai te bater (mesmo você nunca tendo levantado a mão pra ela e não fazer ideia de onde ela aprendeu isso) acredite, faz parte do crescimento e desenvolvimento. E isso pode ocorrer no shopping, na praia, na sua sala, na hora do banho... enfim, em qualquer lugar...
E não há o que fazer... afinal uma criança de menos de dois anos, por exemplo, não tem discernimento do certo e do errado. Tudo o que faz é para saber a reação. Acha graça quando dizemos não. É fato!  A minha filha abre o sorrisão e dá gargalhadas quando nós dizemos em coro "NÃO, SÚRYA!"

Você vai sim ficar cansada, vai chorar por não ter tempo de fazer várias coisas, vai sentir um alívio quando alguém se oferecer para ficar um pouco com as crias e isso não significa que você é, como dizem, "menas main".
Alguns dias você vai querer ligar a TV no Patati e Patatá pra criança ficar quieta por alguns instantes, nem que seja cinco minutos.
O mais bacana da maternidade é que você é responsável por criar aquela pessoa que você sempre idealizou. Seja ela como for. Então seguir o que você sente, mais do que o que aquela vizinha ou sua mãe acha, é fundamental para que você não se sinta uma péssima mãe (ok, confesso que de vez em quando isso passa pela cabeça...)

Então, se você aceitou o desafio de ser responsável por um ser, acredite: você não é super herói para dar conta de tudo, o tempo todo!
Pedir ajuda não é vergonha, surtar não é errado e muito menos querer ficar sozinha.

Será sim, uma conquista sem preço a cada dia, mas lembre-se, somos mulheres que trabalham, que correm atrás e que, além de tudo o que fazemos, somos mães. Mas acima de tudo, somos humanas!
Não se cobre tanto, e não ache que tudo será perfeito.
Fique tranquila e seja feliz!!!!


terça-feira, 2 de junho de 2015

E depois do parto???? - 1ª parte - Baby Blues

Você está toda radiante, ansiosamente aguardando a chegada do seu bebê e quando menos espera está com sua criança no colo...
Aí, em poucos dias você se vê triste...
Para tudo! Como assim, triste????
É, isso mesmo, triste!

Parece até ingratidão com o mundo que, após tanto tempo sonhando com o momento de ter seu filho nos braços, conhecer a carinha dele, você ainda tenha motivos para chorar...
Mas acredite! Não é ingratidão!

Nunca, na sua vida você vai sentir tanto a influência dos hormônios na sua vida. Nem mesmo na gestação toda você vai sentir essa loucura!

Então vamos falar do baby blues!

Essa expressão em inglês nada mais é do que uma melancolia pós-parto. Não estamos falando de depressão pós-parto, ok? É melancolia... uma tristeza, um sentimento inexplicável...
(fonte:Blog Tudo de Nós 2)
Não vamos entrar em discussão sobre diferença entre depressão pós-parto e a melancolia pós-parto, vamos deixar isso para especialistas. Mas quando se tem experiência em algo, é sempre bom ajudar outras pessoas, então vamos ao relato e também aos fatos.

Lembro-me que, pouco antes da minha primeira filha nascer, uma amiga havia me alertado sobre uma melancolia que poderia sentir depois que ela nascesse, que eu poderia me sentir triste mas, se não fosse nada muito grave, não deveria me preocupar tanto, que era normal...
Pois bem, guardei aquele breve bate-papo na memória caso precisasse dessa orientação futuramente.

Quando a minha filha nasceu, foi a realização de um sonho há muito desejado.
"Eu sou mãe!!!!", pensei.
Durante o tempo em que estive na maternidade, ficava emocionada cada vez que ela mamava, resmungava, sorria involuntariamente... era um encanto...
Depois de dois dias, estava eu saindo com ela nos braços e pronta para encarar os desafios que viriam...

Quero dizer, eu ACHAVA que estaria pronta.

A verdade é que nenhum livro e nem ninguém pode te preparar 100% para ser mãe ou pai antes disso acontecer e, a cada dia, o desafio é diferente.
Então, em casa começou o meu maior desafio: Ser Mãe!
Era tudo novo, tinha medo de pegar a minha pequena de forma errada e tudo mais que a gente possa imaginar de medos, mas nada daquilo chegou perto do que eu comecei a sentir naquele dia...

Eu simplesmente comecei a chorar...

Chorava sozinha, para que ninguém visse, tinha vergonha de estar chorando e me sentir triste naquele momento que deveria ser tão sublime.
Até que não consegui disfarçar mais e chorava em qualquer lugar, a qualquer momento...

Não sentia rejeição pela minha pequena, não pensava em fazer mal... mas me sentia profundamente triste.... foi quando lembrei do alerta da minha amiga.... respirei fundo e fui conversar com meu marido e com a minha mãe...

Pense bem: estávamos, até poucos dias atrás, radiantes de alegria e ansiedade e agora, estamos cheias de medo, com o bebê nos braços.... o que mudou????

HORMÔNIOS!!!

Aqueles safadinhos que nos deixam de mau humor uma vez por mês....
Quando parimos, nossos hormônios acumulados durante a gestação começam uma queda livre. Mas daquelas que, quando subimos no avião, a única maneira de sair dali é saltando com o paraquedas...
Mas no caso, ele não abre...
Nunca na minha vida eu havia sentido tanto a fragilidade causada pela alteração hormonal. Nem durante a gestação toda, nem na pior TPM eu imaginei que os hormônios realmente pudessem nos afetar tanto.
Mas afeta... e muito mais do que a gente possa estar preparada para enfrentar...

No final da primeira semana em casa, meu marido criou coragem de me perguntar se eu estava bem, o que eu estava sentindo...
Foi exatamente nesse momento em que eu mais chorei sem motivo na minha vida toda!
Não havia motivo para me sentir daquela forma, mas a única coisa que eu conseguia fazer era chorar...
Chorava comendo, amamentando, tomando banho, fazendo xixi... Enfim, eu só era lágrimas.

Ele ficou assustadíssimo e chegou a cogitar que eu pudesse estar em depressão pós-parto, mas não chegou a falar diretamente a mim.

No momento em que eu vi que ele estava disposto a ouvir, foi o momento do desabafo. Contei que eu simplesmente não tinha a menor ideia do porquê eu estava daquele jeito. Não entendia também. A única coisa que eu sabia é que eu era a pessoa mais feliz do mundo mas não estava conseguindo controlar aquela tristeza. Era uma sensação muito louca! Eu estava extremamente feliz, mas ao mesmo tempo, sentia tristeza o tempo todo.
Marido, viciado em Google, saiu pesquisando e descobriu essa expressão: Baby Blues ou Blues Puerperal... que é essa melancolia no período pós parto.

Diferentemente da depressão, esse não é um diagnóstico preocupante e, pelo contrário, é extremamente comum. É uma condição física que chega a acontecer com 60 a 80% das mulheres e pode vir acompanhado de insônia, ansiedade e exaustão. No meu caso, foi a exaustão que sentia mais.
A boa notícia é que, na maioria dos casos (como foi o meu), essa tristeza vai embora em algumas semanas, sem necessidade de tratamento.

Durante esse período é extremamente importante se observar e também, se possível, contar com o apoio das pessoas que estiverem próximas a você.

Não seja tão exigente consigo mesma! Além dos hormônios, você está vivenciando algo novo (mesmo que não seja seu primeiro filho), sua rotina muda, você amamenta e, acaba perdendo um pouco daquela liberdade que você tinha de fazer tudo o que queria e quando queria, afinal, você agora tem um serzinho que depende muito de você!

O medo, a ansiedade e também a insegurança são sentimentos comuns quando se vê em uma situação nova. Além disso, você agora é mãe pra sempre!!!

Não tenha vergonha de sentir... o que quer que esteja sentindo,,, Não é frescura, não é bobagem!

Meu conselho é para que você converse com alguém. Seja mãe, companheiro, companheira, amiga, irmã... qualquer pessoa que possa te ajudar...
Se for o caso, converse com seu obstetra. Médicos são mais capacitados a orientar caso esse estado seja mais sério ou dure por mais tempo.

Se existe algo que você vai aprender, depois de ser mãe, é correr atrás das coisas e tentar resolver.
Então não sinta vergonha de pedir ajuda.

E a ajuda que eu digo é, inclusive com o bebê.

Tive a sorte de contar com a minha mãe no primeiro mês, então, quando meu marido não estava me ajudando, quem segurava as pontas era ela!
Cuidava da casa e da minha filha enquanto eu fazia meu momento.... tomar banho, dormir, ver um pouco de TV... e isso foi essencial. Em determinados momentos do dia (e da noite) minha mãe só me chamava quando era pra amamentar. Durante a minha recuperação da cesariana, ela levava a minha filha até minha cama, para que eu não precisasse me levantar o tempo todo.
Então eu digo: apoio da família é fundamental, principalmente no primeiro mês, onde ainda estamos atrapalhadas com a nova rotina,

Mas voltando ao tema, meu conselho é: CONVERSE! Fale com amigas que tenham filhos, tire dúvidas e, acima de tudo, respire fundo, isso vai passar!

Caso alguém, inclusive você, desconfie não se tratar de melancolia e sim de algo mais sério, procure ou peça ajuda, inclusive profissional. O estado de depressão pós-parto pode levar a mãe a se colocar em situações de risco tanto para ela quanto para o bebê.

Espero ter ajudado!

Um grande beijo!

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